Curiosidades

Criança morta por Pit Bull: entenda a linhagem, os riscos e a importância do manejo responsável

Postado em fevereiro 5, 2026 as 11:38 am por Daniela Nucci

Artigo de Francis Flosi – médico veterinário e diretor geral da Faculdade de Medicina Veterinária Qualittas

O Brasil voltou a se comover com um caso trágico de ataque de cachorro: uma criança de 11 meses morreu após ser atacada por um Pit Bull no interior de São Paulo. Segundo investigações da Polícia Civil, o bebê já estava sem vida quando ocorreu o ataque, mas o episódio reacende a discussão sobre segurança, manejo e compreensão das características da raça.

É fundamental esclarecer que a agressividade não é um traço inevitável da linhagem do Pit Bull, mas fatores históricos, genéticos e humanos podem aumentar a probabilidade de comportamentos agressivos quando o animal não recebe a socialização e o cuidado adequados.

Agressividade não é destino! O Pit Bull pode apresentar comportamentos reativos, mas isso depende de fatores históricos, genéticos e, principalmente, do manejo humano. Socialização, cuidado e treino fazem toda a diferença Crédito Freepik

Origem histórica da linhagem

Os cães que deram origem ao Pit Bull, entre os séculos XVIII e XIX, foram selecionados para atividades de bull-baiting (lutas contra touros) e dogfighting (lutas entre cães).

Essas práticas favoreceram características como:

  • Alta tolerância à dor

  • Persistência extrema

  • Resistência física

  • Foco intenso (gameness)

⚠️ Esses atributos não são sinônimo de agressividade, mas podem amplificar reações se o cão for mal conduzido.

Seleção genética inadequada

A agressividade pode surgir quando há:

  • Cruzamentos sem critério comportamental

  • Reprodução de cães reativos ou instáveis

  • Linhagens criadas exclusivamente para briga ou intimidação

🔹 Criadores responsáveis eliminam da reprodução cães medrosos, imprevisíveis ou excessivamente reativos. Criadores negligentes fazem exatamente o oposto, aumentando os riscos de comportamentos indesejados.

Agressividade direcionada: cães x humanos

É importante diferenciar:

  • Agressividade contra outros cães: pode ocorrer, relacionada à seleção histórica, mas é gerenciável com socialização e manejo adequado.

  • Agressividade contra humanos: nunca é característica desejável da raça e geralmente resulta de trauma, maus-tratos, negligência ou seleção genética inadequada.

Falta de socialização precoce

Entre 3 e 14 semanas, o filhote forma a base emocional que influenciará toda a vida.

Pit Bulls que não têm:

  • Contato com pessoas

  • Exposição a outros animais

  • Experiências urbanas controladas

tendem a desenvolver medo, reatividade defensiva e respostas agressivas por insegurança.

Manejo humano inadequado

O fator mais determinante na agressividade é o comportamento do tutor.

Fatores críticos incluem:

  • Uso do cão como “arma” ou símbolo de status

  • Reforço de comportamentos agressivos

  • Punições físicas

  • Falta de exercícios e enriquecimento mental

Um Pit Bull é forte, energético e intenso. Sem direção, isso pode resultar em incidentes graves.

Aspectos neurocomportamentais

Pit Bulls têm alto nível de energia, força muscular significativa e baixa tolerância à frustração quando mal treinados.

✅ É fundamental oferecer:

  • Rotina estruturada

  • Limites claros

  • Treino positivo consistente

Sem isso, o risco de acidentes aumenta consideravelmente.

Socialização correta

Socializar não significa “jogar o cão no meio de outros animais”. É necessário:

✔️ Exposição controlada e supervisionada
✔️ Interações positivas
✔️ Ambientes variados

❌ Evitar experiências traumáticas
❌ Gritar ou punir fisicamente
❌ Deixar o cão “resolver sozinho”

Quando procurar ajuda profissional

Procure um adestrador comportamental ou veterinário especialista se houver:

  • Mordida com perfuração

  • Ataques imprevisíveis

  • Escalada rápida de agressividade

  • Histórico de trauma ou resgate

Quanto antes o acompanhamento, melhor o prognóstico.

Curiosidades

veja mais notícias

Assine nossa NEWSLETTER