
Curiosidades

Artigo de Francis Flosi – médico veterinário e diretor geral da Faculdade de Medicina Veterinária Qualittas
O Brasil voltou a se comover com um caso trágico de ataque de cachorro: uma criança de 11 meses morreu após ser atacada por um Pit Bull no interior de São Paulo. Segundo investigações da Polícia Civil, o bebê já estava sem vida quando ocorreu o ataque, mas o episódio reacende a discussão sobre segurança, manejo e compreensão das características da raça.
É fundamental esclarecer que a agressividade não é um traço inevitável da linhagem do Pit Bull, mas fatores históricos, genéticos e humanos podem aumentar a probabilidade de comportamentos agressivos quando o animal não recebe a socialização e o cuidado adequados.

Os cães que deram origem ao Pit Bull, entre os séculos XVIII e XIX, foram selecionados para atividades de bull-baiting (lutas contra touros) e dogfighting (lutas entre cães).
Essas práticas favoreceram características como:
Alta tolerância à dor
Persistência extrema
Resistência física
Foco intenso (gameness)
⚠️ Esses atributos não são sinônimo de agressividade, mas podem amplificar reações se o cão for mal conduzido.

A agressividade pode surgir quando há:
Cruzamentos sem critério comportamental
Reprodução de cães reativos ou instáveis
Linhagens criadas exclusivamente para briga ou intimidação
🔹 Criadores responsáveis eliminam da reprodução cães medrosos, imprevisíveis ou excessivamente reativos. Criadores negligentes fazem exatamente o oposto, aumentando os riscos de comportamentos indesejados.
É importante diferenciar:
Agressividade contra outros cães: pode ocorrer, relacionada à seleção histórica, mas é gerenciável com socialização e manejo adequado.
Agressividade contra humanos: nunca é característica desejável da raça e geralmente resulta de trauma, maus-tratos, negligência ou seleção genética inadequada.
Entre 3 e 14 semanas, o filhote forma a base emocional que influenciará toda a vida.
Pit Bulls que não têm:
Contato com pessoas
Exposição a outros animais
Experiências urbanas controladas
tendem a desenvolver medo, reatividade defensiva e respostas agressivas por insegurança.
O fator mais determinante na agressividade é o comportamento do tutor.
Fatores críticos incluem:
Uso do cão como “arma” ou símbolo de status
Reforço de comportamentos agressivos
Punições físicas
Falta de exercícios e enriquecimento mental
Um Pit Bull é forte, energético e intenso. Sem direção, isso pode resultar em incidentes graves.
Pit Bulls têm alto nível de energia, força muscular significativa e baixa tolerância à frustração quando mal treinados.
✅ É fundamental oferecer:
Rotina estruturada
Limites claros
Treino positivo consistente
Sem isso, o risco de acidentes aumenta consideravelmente.
Socializar não significa “jogar o cão no meio de outros animais”. É necessário:
✔️ Exposição controlada e supervisionada
✔️ Interações positivas
✔️ Ambientes variados
❌ Evitar experiências traumáticas
❌ Gritar ou punir fisicamente
❌ Deixar o cão “resolver sozinho”
Procure um adestrador comportamental ou veterinário especialista se houver:
Mordida com perfuração
Ataques imprevisíveis
Escalada rápida de agressividade
Histórico de trauma ou resgate
Quanto antes o acompanhamento, melhor o prognóstico.